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4 de março de 2006

 

Eu leio Cara de Milho (VIII)


Carlos Quirino -
Mais um ilustre leitor desse blog. Carlos à primeira vista pode parecer que é apenas mais um preto qualquer, mas, o mais interessante é que à segunda vista ele continua sendo só mais um preto, à terceira vista também, à quarta, à quinta, por todos os ângulos que você olhar, nada muda, então, por que diabos esse cara é uma celebridade?
Bem, eu já deixei claro que quem eu considero celebridade ou não, é escolha pessoal minha, no caso de Carlos, o mais célebre de sua trajetória pela terra é que ele é um exímio atleta, que entre inúmeros títulos conta com o vice-campeonato de um torneio sei lá das quantas organizado pelas forças armadas. Peraê que o melhor vem agora: a modalidade dele? Arremesso de bolinha. É sério, essa figura me telefona emocionado dizendo que agora está fazendo atletismo e ganhou uma medalha de prata, daí eu fico todo orgulhoso achando que o cara tá correndo os 100 metros, e ele me diz que não, pratica "arremesso de peso" - Arremesso de "bolinha" fica melhor, vamos dizer as coisas como elas são, sem eufemismo.
No momento fiquei um pouco encabulado, mas, depois pensei: "Po, o cara é fera!" Isso sim é uma celebridade, afinal, arremessar bolinha é algo que lhe faz único, eu já conheço um monte de corredores, mas, arremessador de bolinhas só ele, juro que cheguei a achar que essa gente nem existia. Na minha cabeça faziam parte desse grupo de gente que só existe no imaginário da população, uma espécie de alucinação coletiva, pessoas que você nunca viu, mas, aprendeu a considerá-las reais, tais como habitantes do Suriname, moradores de Rondônia, tocadores de fagote, e, obviamente, arremessadores de bolinha.
Bem, a alucinação coletiva era apenas uma hipótese, tudo bem que parece exagerada, mas, eu tenho motivos de sobra pra pensar assim. Reparem que os arremessadores de bolinha só aparecem na TV a cada quatro anos, nos jogos olímpicos, o que faz essa gente depois? Por que não temos informações de suas vidas, nem sequer dos medalhistas olímpicos? Por que nenhum arremessador de bolinhas ficou famoso? Conhece alguma celebridade que se casou com um arremessador de bolinhas? Algum paparazzi fotografou um arremessador de bolinhas traindo a esposa? Já viu os preparativos dos arremessadores de bolinhas antes das olimpíadas? Onde eles treinam? Já viu essa gente treinar?
Reparem que mesmo nos jogos olímpicos, eles estão ali, mas, ninguém assite, muitas vezes eu assisti por pena dos caras, achava que precisavam de atenção, afinal, geralmente estão se esgoelando pra jogar suas bolinhas longe e ao mesmo tempo outras provas estão sendo realizadas ao redor, provas estas mais importantes, como salto em distância, cem metros, ou até mesmo aquela corrida reboladinha que esqueci o nome, mas, é bizarra. O fato é que as câmeras a TV dão preferência a esses, ou seja, se realmente existem os arremessadores de bolinhas, são extremamente impopulares, perdendo em popularidade até pros saltadores com vara, que por sinal, é outra classe de desportistas que acredito ser fictícia. Por que? Vejamos:

1 – Quando você vai a uma loja de material esportivos você encontra varas de saltar ou bolinhas de ferro pra arremessar? Não, né!? Tampouco já viu alguém entrar ali perguntando por esse tipo de produto. Então como que essa gente adquire o material?

2 – Já viu alguma escola que inclua salto com vara ou arremesso de bolinhas nas aulas de educação física? Não, né!?

3- Já viu “escolinhas de salta com vara” ou “escolinhas de arremesso de bolinhas”? Por outro lado, “escolinhas de futebol” ou “escolinhas de basquete” estão espalhadas em tudo que é canto, verdade?

4- Algum amigo seu já disse que seu sonho era arremessar bolinhas ou saltar com varas? Acho que não, né!?


5- Busque no orkut comunidade sobre saltadores com vara e arremessadores de bolinhas. Eu só achei três pra cada uma dessas modalidade, o que chega a ser ainda mais ridículo quando vemos que a comunidade de uma dessas modalidades com mais gente tem trinta membros. Hoje em dia qualquer assunto idiota tem mais de dez comunidades pra ser debatido e qualquer comunidade desses assuntos tem pelo menos mil participantes.

Então como é que surge o interesse de alguém praticar esses esportes, se não surge na escola nem na infância? Ora, estudamos até os dezoito anos, se o interesse surge depois dessa idade, vocês conseguem imaginar alguém aprender um esporte começando do zero já com dezoito anos na cara? Difícil, né!? Experimenta se apresentar num clube de futebol já com dezoito anos dizendo que nunca jogou esse esporte, mas, adoraria aprender. Você acha que alguém vai se interessar por você? Claro que não, eles vão achar que você já passou da idade de aprender, já deveria estar jogando pelo menos em algum clube de várzea. Já com os arremessadores de bolinhas e os saltadores com vara, não acontece isso. Por que será?
Aliás, confesso estar sendo repetitivo, meus amigos certamente já me ouviram argumentar essas coisas, mas, o caso é que não é de hoje que eu venho alertando sobre certas profissões que eu não sei como surgem na vida de alguém. Acho que isso vem desde o dia em que vi o Jô Soares entrevistando um tocador de fagote, foi isso sim, desde esse dia me pergunto como certas pessoas desenvolvem interesse por certas atividades, pode ser influência de família, mas, no caso do Carlos, nenhum parente dele que eu saiba arremessa bolinhas e nunca o incentivaram a tal coisa, e isso derruba minha hipótese da hereditariedade, pois, eu acreditava que todos tocadores de fagote, saltadores com vara e arremessadores de bolinhas tinham pessoas na família que se dedicassem a isso, o que me levava à conclusão que essas atividade estavam em perigo de extinção, pois veja bem:
Se considerássemos nula a hipótese de que alguém que não tenha parentes exercendo essas atividade se dediquem a tal;
Se considerássemos que apenas seus filhos exercerão tais carreiras, mas, levássemos em conta também o fato de que nem todos terão filhos, ou ainda, nem todos conseguirão influenciar seus filhos, chegaríamos à conclusão de que tais atividades estavam com seus dias contados, a não ser que, considerássemos a remota hipótese de que esses fossem conscientes de seus riscos de desaparecerem e fossem também extremamente organizados e se reunissem e traçassem planos e metas de sobrevivência de suas espécies entre eles, algo como não ter menos do que cinco filhos, assim, poderíamos considerar que de cinco filhos, não seria dificl convencer pelo menos dois a seguirem seus passos, logo para cada arremessador de bolinhas, saltador com varas e tocador de fagote de hoje teríamos o dobro no futuro, mas, essas eram apenas hipóteses, o Carlos acabou de derrubá-las.

***

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Comments:
Ahn...desculpa derrubar sua teoria, mas meu pai era professor de educação física e ele ensinava arremessar bolinha sim. E a corrida reboladinha se chama marcha atlética. =]
Eu gosto do seu blog, hehe, vc até já publicou minhas piadas aqui.
 
Tudo bem, o Carlos já havia derrubado mesmo.
besos
 
Valeu por lembrar de mim. Tirando as gozações, gostei muito do tópico, muito engraçado. Mas vê se da próxima vez dá uma moral, hehehe...Valeu!!
 
Eu te dar uma moral? Tá zuando, né? Sou teu pai, por acaso, negão?
 
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